Watching the sunset© Julie Aucoin
Gisela Ramos Rosa, 30-05-2010
Watching the sunset
After a shower
Schhh
Armenian texture
© Taher Sadati
Gosto de sentir a espessura das formas com as quais revelamos o mundo. coloco os meus dedos no relevo de cada símbolo e encontro o molde e os ramos com que projecto a representação.... se olhares com cuidado perceberás que a superfície é sempre o nada de onde parte a (con)figuração ...e poderemos chamar-lhe uma folha com nomes ou mesmo o percurso da pedra onde as linhas se fundaram inaugurando o espaço.... posso dizer-te que encaro o alfabeto como a chave da memória que os corpos engendraram....por isso, sempre que posso procuro romper esse véu com os sentidos... e o meu corpo passa a ser um instrumento de leitura desse outro corpo abstracto... sonho e interpretação tocando as noções primevas como se elas fossem a morada dos actos harmoniosos em que se firma o mundo...
Gisela Ramos Rosa, 13-05-2010

Eagle Tree
© Mandy Schoch
“Sermos totalmente humanos torna-nos reais”
Deepak Chopra, a sabedoria do mago, p. 54
procuro palavras na língua para poder unir os ramos, das árvores em que nos tornámos...já antes havia inscrito nos muros a morada onde o silêncio me ensinou a escrever o nome e a reconhecer o mistério do que é transitório.... gostava de poder dar-te as minhas mãos para cruzarmos as linhas e os lugares sobre a luz ......descalça sentiria as folhas macias do livro...e na superfície bordaria o odor tranquilo do sol....a traçar o horizonte dos sítios e dos mapas que trazemos....
peaceful moment (Praying woman)
Se me olhares não vejas uma mulher de costas....transpareço através do véu azul apesar do lugar, apesar de tudo. Estou direccionada para uma porta antiga que não se fecha por completo... encontro nela o sítio onde colocar a mão esquerda e também a possibilidade de repousar com a tranquilidade de uma prece...sem que nada me importune.... sempre que aqui venho recomeço a viagem sobre a luz ...destaco as cores porque as sinto entrar como carreiros na alma...através dos olhos....não te prendas ao chão....repara no tecido que me cobre... é suficientemente claro para transformar os teus olhos numa ilha....e o meu corpo num lugar.....
Gisela Ramos Rosa, 01-05-2010