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16 janeiro, 2010
As raízes não falam. Não estão atrás. Nem no fundo. /As raízes vão à frente. Puxam-nos para a frente* ...
Põe quem és no mínimo que fazes
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê tudo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Fernando Pessoa, Odes de Ricardo Reis
* O título desta edição são dois versos de um poema de António Ramos Rosa com o título As Raízes.
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Fernando Pessoa
07 janeiro, 2010
a visão é o tacto do espírito*
António Ramos Rosa olhando um albúm de pintura de Boticelli, 19 de Dezembro de 2009, o poeta quis mostrar-me o realismo dos rostos deste pintor.
* o título é da autoria de Fernando Pessoa
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Gisela Rosa
15 maio, 2009
O encontro

Paix, Peace, Frieden, Paz, Calligraphie Lassad Metoui
Eros e Psique
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa, 8-7-1933, publicado in Presença nºs 41 e 42, Coimbra, Maio de 1934
(retirado do livro de José Manuel Anes, Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos, p.p. 182-183).
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