
Pois nascer é ter de atravessar um invólucro que contém o sujeito dentro, no qual não pode permanecer, não por risco da sua vida mas do seu ser. É ter de abandonar um lugar onde o ser se encontra dobrado sobre si próprio, imerso na escuridão...
María Zambrano, O Sonho Criador, pp. 110 e 121
Reborn
© Ben Goossens
Sempre que nasceres pergunta
vive o espaço que se prolonga em ti
para além de ti vai caminha lentamente
nunca será em vão a indagação
sobre a linguagem dos homens e das mulheres
as construções que a teus olhos se deparam
acredita nas imagens primeiras
os sentidos serão a chave reveladora o mapa
intui uma melodia ela levar-te-á
além da porta
Sempre que nasceres canta
eleva um cântico abre uma via um umbral
propaga-te como um espelho de ti mesmo
onde possas incluir os Outros
procura sempre um lugar dentro de ti
e repousa sonha o mais possível
nunca recues sem saber se é oportuno Seres
naquilo que em cada instante se desfaz
para se refazer no que serás em movimento
como uma dança, um bailado
e então nasce livremente
e sempre que nasceres pergunta
se és tu e depois caminha
Gisela Ramos Rosa, 24-12-2009