Mostrar mensagens com a etiqueta Gregory Colbert. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gregory Colbert. Mostrar todas as mensagens

01 outubro, 2011

Um foco de ternura cúmplice

Fotografia de Gregory Colbert

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.

António Ramos Rosa


Aproximei-me da festa do silêncio com o fluir das palavras nuas que escreveste. Suspendi o tempo junto a ti como a criança que recoloca as peças do jogo com a simples respiração acedendo ao novo mundo imprevisto em movimento. Um foco de ternura cúmplice aproximou o sentido total dos nossos gestos fora do tempo. Um campo de ressonâncias eternas trespassando-nos como a água sem corpo que esvazia as palavras, dos sentidos obscuros, onde habitamos a brancura e o afecto deste encontro. Agora sei que haverá a palavra viva quando a morte for limite, haverá o fluxo do livro descobrindo a página, haverá um rosto traduzindo o silêncio, haverá um traço de prece inclinada na paz dos nossos ombros.


Gisela Ramos Rosa, 1-10-2011