Mostrar mensagens com a etiqueta Graça Pires. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Graça Pires. Mostrar todas as mensagens
29 setembro, 2009
é morno o gesto com que percorro*
Aqui, na fenda da rotina onde o outono aquece
vou desenhar a sede, lentamente.
Já não falo de nós, peregrinos
das rotas que inventámos.
Por dentro das metáforas violo,
apenas, os limites do sossego e desfaço
todos os nós do medo no fulgor livre do verbo.
É morno o gesto com que percorro
os momentos inquietantes do quotidiano.
Imagens e sons são, quase sempre,
o fundo falso onde, de forma ambígua,
me escondo para representar todos os rituais,
sagrados e profanos, do dia a dia.
Aquém de mim acendem-se todos os mares
e, na voz dos marinheiros, pergunto ao sol
se pode ser eterna a sombra de um barco.
Graça Pires, De Outono: lugar frágil, 1994
* O título é um verso do poema editado, da autoria de Graça Pires
Etiquetas:
Graça Pires,
Ilja Hackman
16 junho, 2009
hei-de dizer o nome
Vento, Desenho/poema de António Ramos Rosa, 2005
Com as árvores e com as águas
partilho os meus pensamentos.
Manuseio estas palavras
como se fossem minhas
para as usar como protesto,
como absolvição: boca
devorando a própria fome.
Aguardo um sinal que decifre
o nomadismo da memória
e rompa a cumplicidade do tempo.
Graça Pires, Uma extensa mancha de sonhos, p. 45 - 2008
* O título deste post é um verso de Graça Pires, p. 12 do mesmo livro
Etiquetas:
António Ramos Rosa,
Graça Pires
07 maio, 2009
de ternura moldei o meu cansaço

Fotografia de Gisela Rosa, Maio de 2009
De coragem vesti a solidão,
de ternura moldei o meu cansaço
e fui mulher-canção, mulher-abraço
de quem me viu morrer por cada sonho,
de quem me viu nascer em cada esperança.
Na lembrança guardei toda a beleza
e a tristeza cobri de fantasia.
Enfeitei-me de poesia como quem reza
e fui vadia, no gosto aventureiro de quem vive.
E sou mulher-certeza, mulher-livre,
mulher do dia-a-dia a tempo inteiro.
Graça Pires, 1985
(Obrigada Graça, por este tão belo poema)
Etiquetas:
Gisela Rosa,
Graça Pires
05 maio, 2009
deixo que a lua se instale em minha pele,
Desenho de António Ramos Rosa, em Cartolina A3, 2005.
Surpreendida por um caminho sem tempo,
deixo que a lua se instale em minha pele,
lasciva e húmida. Habito uma ilha suspeita
de servir de abrigo a veleiros perdidos.
E digo: há um mar horizontal na solidão
de uma mulher, com as mãos cansadas
de sulcar distâncias em caminhos de espuma.
Graça Pires, Uma Certa Forma de Errância, p. 13
* O título é um verso do poema de Graça Pires
Etiquetas:
António Ramos Rosa,
Graça Pires
Subscrever:
Mensagens (Atom)

