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06 agosto, 2009

Ainda há alguém a construir?








Que eu não fui há um momento,
sabes já? E tu dizes não saber.
Então sinto que se não andar a correr,
posso nunca ter passado totalmente.

Sim, mais do que sonho de um sonho sou.
Só o que a limites consolidados aspirou,
é como um dia e como um som que esvoaça;
pelas tuas mãos inominado passa,
para a múltipla liberdade encontrar,
e elas com tristeza o vêm a abandonar.

E o escuro apenas para ti ficou,
e, crescendo para a luz vazia,
uma história do mundo se erguia
de uma pedra que cada vez mais cegou.
Ainda há alguém a construir?
As massas de novo às massas dão voltas,
as pedras estão como soltas

E nenhuma foi por ti talhada...

Rainer Maria Rilke, O Livro de Horas, p. 161



* Agradeço do fundo do coração o livro de onde colhi este poema, à minha amiga Maria Teresa Dias Furtado, tradutora e especialista de Rainer Maria Rilke.





after the end .2
© final toto



03 agosto, 2009

Life


Life, © final toto


Le souvenir du Vrai est vaste et quand je le rappelle, ma langue a la douceur du miel. Je me change en esclave. Alors mon coeur, comme l´oiseau qui veut s´envoler, bat des ailes.

*Hodja Ahmad Yassavi (1105-1165), Ghazels Ouzbekes, p. 11


*Un des premieres poètes de langue turque, fondateurs de l´ordre religieux "yassavia", extremement populaire en Asie centrale (Turkestan).

01 agosto, 2009

o templo dos sonhos


the unforgiven way
© final toto


visito por instantes esse templo
do tempo que guarda rastos de areia e vento
nele há gotas de orvalho e de um sono antigo
transparecendo como velas do desejo

há um templo que me acolhe
como um anjo que na neblina formula gestos
numa barca que ondula no silêncio

há toda uma dança cujo sabor me antecede
quando sonho com a poalha das marés
onde o movimento se esbate

e prolongo os braços na indizível matéria
onde o mastro é agora templo do corpo
que me sonha


Gisela Ramos Rosa, O Templo dos Sonhos, poema publicado na Antologia de Poetas Contemporâneos, Entre o Sono e o Sonho II, Julho de 2009