© Cyrille AndresHá uma distância segura entre mim e as primeiras luzes que vi ao nascer. A matéria foi ganhando forma à medida que o meu nome cresceu e passou pelos lugares, pelas estradas sucessivas que fui encontrando. Imaginei linhas onde sonhos decisivos uniram o sono e a vigília. Nas manhãs o leite e o fogo como a seiva que à tona desliza ao andar. À noite a primeira morte foi sempre desde o começo este brilho que em mim se exilou. Não sei como explicar-te tantas coisas pela primeira vez:
e se me perguntares como tenho os pulsos neste momento em que escrevo, dir-te-ei que as correntes libertaram todas as marcas do deserto. Sim, as correntes foram sementes da prisão de onde as minhas asas se soltaram. Quando os olhos e a sede desenhavam circunferências e apenas a saída era o voo que rompia a placenta como um golpe de uma estação a florir.... para encontrar um outro lugar ou afluente onde as minhas mãos se uniram, já com a palavra fruto, foi preciso que uma escrita antiga me lembrasse a chave e o segredo dessa longa travessia.
Desculpa se me inclinei “como a criança que quer voltar ao chão” (Daniel Faria, Poesia, p. 241)
Gisela Ramos Rosa, 06-03-2010




