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16 julho, 2009

a revelação


Ceilidh - The Dance (Welsh)



Estava prescrito. A revelação - incompleta - foi-lhe trazida através do sonho quando chegou o momento de se consciencializar. Sempre através do sonho se lhe fizeram presentes as vozes ocultas. Algo, porém, aqui permanecia na obscuridade - porque sempre o terror da iminência a despertara antes da revelação total. Donde a perseverança com que volvia a tentar impor-se à receptividade, para lé do terror. Mas a recusa prevalecia. Tudo em si apelava à negação do que se lhe revelava. Ficava-lhe a memória da treva, de um rodopiar no vácuo, da presença insondável do abismo para onde convergia debatendo-se até que o despertar a libertasse.

25-4-90

Agripina Costa Marques, Sonhos, p. 7

10 junho, 2009

Caminhos brancos de silêncio


Jean Cocteau Astrologie, 1958


Fomos visitar uns monges chineses, talvez taoístas.
António deitou-se, perante eles, em posição quase fetal - o que, noutra pessoa, teria sido considerado irreverência. Neste caso particular havia como um acordo tácito. (A posição correcta - que aqui não faz sentido seria de joelhos).
Ele não fez perguntas. Foi-lhe dito que tinha atingido o Absoluto.

Perguntei se eu alguma vez atingiria a serenidade. Foi-me respondido que só muito próximo do fim da vida.
Mas saí numa espécie de estado-de-graça, como se tivesse iniciado o caminho da perfeição.


Sonho de 8/10/88
Agripina Costa Marques, Sonhos, p.33, 1990


*A autora é companheira de António Ramos Rosa
** O título deste post é um verso de ACM.