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08 junho, 2009

lembrando que existe um rio



Fisherman © Rudi Kokic

Om é o arco, a seta é a alma
Brame é o alvo da seta
Ao qual se aponta firmemente

Hermann Hesse, Siddhartha, p.14 - 1974


* O título deste post é um verso do poema "Lisboa, Cerca Moura" de Pedro Mexia..

07 junho, 2009

Om é o arco, a seta é a alma



Fishing © Rudi Kokic

"(...) Siddhartha raramente conseguia levá-lo a falar.
Uma vez perguntou-lhe:

- Também aprendeste esse segredo do rio, quero dizer, que o tempo é coisa que não existe?
Um sorriso luminoso alastrou pelo rosto de Vasudeva.
- Sim, Siddharta - respondeu. - Queres dizer que o rio está em toda a parte ao mesmo tempo, na nascente, na foz, na catarata, no molhe, na corrente, no oceano e nas montanhas, em toda a parte, e que para ele existe apenas o presente e não a sombra do passado nem a sombra do futuro?
- Exactamente. E quando aprendi isto passei em revista a minha vida e ela também era um rio, e Siddhartha moço, Siddhartha homem maduro e Siddhartha velho encontravam-se separados apenas por sombras e não pela realidade. As anteriores vidas de Siddhartha também não pertenciam ao passado e a sua morte e o seu regresso a Brame não pertencem ao futuro. Nada foi, nada será, tudo tem realidade e presença....

Não é verdade, meu amigo, que o rio tem muitas vozes? ....
Assim é - concordou Vasudeva. - As vozes de todas as criaturas vivas estão na sua Voz. (...)"

Hermann Hesse, Siddhartha, pp. 113-114 - 1974


* o título deste post foi extraído do livro acima referido, p. 14.