14 março, 2009

A rosa

Botão de rosa príncipe negro, fotografia de Gisela Rosa



A rosa,
a imarcescível rosa que não canto,
a que é peso e fragrância,
a do negro jardim na alta noite,
a de qualquer jardim e qualquer tarde,
a rosa que ressurge da ténue
cinza através da arte da alquimia,
a rosa dos persas e de Ariosto,
a que sempre está só,
a que sempre é a rosa das rosas,
a jovem flor platónica,
a ardente e cega rosa que não canto,
a rosa inalcançável.

Jorge Luís Borges, A rosa

5 comentários:

Adriana Elise disse...

Que lindo este poema. Adorei!

Gisela Rosa disse...

Obrigada Adriana, pela sua visita e comentário. Um abraço!

alice disse...

há poetas que são uma rosa num grande campo só de malmequeres. são a rosa única, a rosa solitária, a rosa improvável. o jorge luís borges é a rosa. um grande beijinho, gisela (rosa :)

Gisela Rosa disse...

sem dúvida alice, Borges é a rosa (improvável). um terno abraço e obrigada.

Ianê Mello disse...

Muito belo esse poema de Borges, Gisela.

Beijos.