08 janeiro, 2011

ancorados no espaço a um ponto de luz,

© Jorris Martinez

tentei explicar-te como os mundos se cruzam, durante a travessia, enquanto resumíamos a dor naquele despertar de espelhos.......lembras-te como os nossos dedos deslizavam suavemente na superfície da pedra negra que apanhei à junto ao mar? e tu repetias-me incessantemente “é no mar das descobertas que tenho o meu olhar”....acordo muitas vezes na planície desse pensamento, como se estivesse dentro de ti....ou tu dentro de mim....ancorados no espaço a um ponto de luz, sem vazio nem perda,......e dizias-me “tenho o mar no meu olhar”.....tentei explicar-te, de novo, que atravessávamos o núcleo de um sonho de semelhanças onde a paisagem do caminho tinha as mãos juntas...e tu repetias “é no mar que saro as minhas feridas”...

Com a memória do espaço que separa as mãos fecho-as para nelas fecundar um olhar ou um silêncio com o espanto da criança que segura um pássaro olhando a janela com os reflexos do Mar...

Gisela Ramos Rosa, 08-01-2011


11 comentários:

Leonardo B. disse...

[como as ondas que servirão de asas para esse voo rasante, nas mãos tomadas por salgadas marés escorrendo por rostos, corpo e mãos ancoradas e resgatadas "a um ponto de luz"]

um imenso abraço, Gisela

Leonardo B.

Gisela Rosa disse...

Leonardo! Os seus comentários são ondas de luz que regressam sempre...obrigada pela presença na Matriz. Um abraço meu amigo

Folhetim Cultural disse...

Olá queria parabenizar você pelo blog e pedir que visita se o meu simples blog: informativofolhetimcultural.blogspot.com será uma honra ter a visita tua lá. Espero que goste...
Ass: Magno Oliveira
Folhetim Cultural

José Manuel Vilhena disse...

Um belo texto.
Um beijinho e desejos de um 2011 feliz também.

João Menéres disse...

E eu fico-me >Com a memória do espaço quesepara as mãos fecho-as para nelas fecundar um olhar ou um silêncio com o espanto da criança que segura um pássaro olhando a janela com os reflexos do Mar...<

Não me puxes as orelhas amanhã lá no Grifo...

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Gizela, o teu texto possui um visgo que me fez grudar na poesia das tuas palavras e lamentar quando ela termina.

É desses textos que nos faz suspirar a alma e agradecer pela existência da poesia.


beijo em teu coração

Mar Arável disse...

e um dia escrevi muito antes e a despropósito do seu texto

... estrangulaste um pássaro nas mãos só para desenhares no chão a dor que sentimos ...

Incontronável o seu espaço

Apareça

António R. disse...

Ter o mar nos olhos é com certeza um privilégio de poucos. Especialmente quando ele é azul e transparente.
Abraço.

Malu disse...

Gisela, que hajam sempre pontos de luzes a nos ancorar pelo espaço eque os dois - pontos e espaços - nos sejam infinitos...
Lundi!
Um beijinho

Graça Pires disse...

Ter o mar no olhar a um ponto de luz... Belíssimo!
Um beijo, Gisela.

Huellas disse...

Preciosa fotografía.-