03 julho, 2009

Do sagrado


Nada indicava o caminho
apenas os instantes perseguiam a imagem
os sentidos configuravam curvas, esquinas

nas pedras descansavam os rios e os raios de sol
em movimentos de espessura breve
e a chuva inaugurava o leito adormecendo
para acordar ofuscada por pequenas partículas

nada revelava os membros vincados nas esteiras
nem mesmo o som dos búzios corroídos pelo sal

apenas a areia permanecia no horizonte
com os seus animais de luz
e as cores e os traços constituíam a matéria
que reclamava a forma e os reflexos
vibrantes nesta água

Gisela Rosa, 2008



*Agradeço à Conceição Antunes a imagem de Emilly Carr que gentilmente me trouxe do Canadá.

6 comentários:

Carmo disse...

Pois é Gisela de repente tive uma vontade enorme de me esconder da nossa dita civilização e sentar-me junto ao leito do rio admirando as cores do horizonte.
Eu, um caderno e uma caneta.

Beijinhos

Carmo

Gisela Rosa disse...

Obrigada Carmo! É mesmo isso que este post pretende dizer, não há civizações melhores que outras, todas São com a VIDA e tudo o que ela contém é Sagrado. Com carinho recebo as suas palavras, um beijinho

vaandando disse...

... rendo-me ao poema , a beleza , sem mais à beleza das imagens dos últimos versos ...
Grato pela partilha!
Abraço, Gisela
________ JRMARTO

Gisela Rosa disse...

José Marto muito obrigada pelo seu comentário. Um abraço, Gisela

VFS disse...

chuva

água


origem de todos os sagrados!


lágrimas ...

Deusa disse...

Sublime tudo isso !!