03 abril, 2011

a verdade é a minha liberdade




Às vezes entrego-me ao poema e à sua acção como se houvesse uma transição entre mim e a palavra. Como na dança dobro o fluxo das ideias para extrair o sentido do corpo e escrevo com os gestos da mediação sensorial..... inclino-me e encontro a imagem que será palavra....coreografo a página com a rede emocional e na dançarina encontro o equilíbrio “meta-estável” do corpo

gesto e palavra em movimento....


há uma força subtil no sentido deste gesto,

onde abandono surdas sinfonias

repara como é preciso Ver para dentro e para fora

para a viagem entre nós e o mundo


há uma palavra branca antes de tudo

e se alguma mão cegar a possibilidade

a outra arrebatará com o pulso do Verbo,


escrevo para celebrar a voz que se funde

no corpo da criança que não derruba nem fere

e com a “água do poema” atravesso a frase que

me pensa por dentro como uma dança

no devir do gesto, a verdade é a minha liberdade


Gisela Ramos |Rosa, 3-04-2011