02 abril, 2010

em leve plenitude*


From the album:
"Gestos" by Marcelo Novaes


Uma cabeça sonha nuvens
para o mundo real.
A mão constrói um barco
de folhas para o espaço.
O corpo perfaz o mundo
em acordes nupciais.
A fragrância derrama-se
em reverências cintilantes.
Sopro a sopro, os tesouros
passam no ar ligeiro.
Que evidentes delícias
de musicais relevos!
Íntimo dentro do espaço,
agora sou quem sou,
(o que respira e recebe),
Tudo culmina aqui
em leve plenitude
(tão fácil que é de todos),
unânime confidência.


António Ramos Rosa, O Não e o Sim, p. 117

7 comentários:

avlisjota disse...

Andar nas nuvens, construir barcos no espaço, tesouros e relevos musicais...
Sou o ser que reporta, e tudo finda, numa leve plenitude...

Bjos

José

Leonardo B. disse...

[não com tijolos ou cimentos, aços voláteis, mas com palavras, grãos sopro de brisa, calmo vendaval que se constrói o que em nós há de mais resistente e profundo; tudo está ao alcance da mão de um poeta]

um imenso abraço, Gisela

Leonardo B.

Ianê Mello disse...

O sonho dentro de cada um de nós...

Nas linhas do poema, a intensidade do sonhar.

Muito belo!

Grande abraço.

Lih Estevam disse...

Íntimos dentro do espaço...


Adorei

Mar Arável disse...

Sopro-te

e voo

T disse...

Unânime confidência: perfeito!
Abraços a ti...
Tânia

luizsimbolista disse...

Fantástico poema, gostei dos versos "agora sou quem sou,
(o que respira e recebe)", de fato devemos ser o que somos msmo que na plenitude poética, andar nas nuvens, tocar as estrelas são façanhas humanas e diria espirituais do ser que só através da magia da palavra essêncial vezes é realizável. Gosto muito do teu espaço, fico sempre surpreendido a cada visita.

Um cordial abraço.