12 abril, 2009

Não posso adiar este abraço...


Tradução do poema em língua árabe - fotografia de Gisela Rosa, obtida a partir da revista Poesia do Sec. XX com António Ramos Rosa ao fundo, organização de Ana Paula Coutinho Mendes, ULP - 2005.


Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa


*Este poema foi publicado em várias línguas, entre elas a romena, a búlgara e a russa, na revista Poesia do Sec. XX com António Ramos Rosa ao fundo, organização de Ana Paula Coutinho Mendes, da Univ. de Letras do Porto - 2005.

10 comentários:

JMV disse...

É.
Adiar,adiar,adiar,vamo-nos tornando quase todos adiados de qualquer coisa.

"Não posso adiar para outro século a minha vida"
Gosto muito deste poema.



um beijinho

adelaide amorim disse...

Um poema que lembra tanta coisa adiada pela vida...
Beijo, uma ótima semana.

alice disse...

sobretudo o primeiro verso deste poema tem um significado especial para mim, por me ter sido dito, várias vezes, por alguém que fez parte da minha vida. um grande beijinho, Gisela.

Graça Pires disse...

Este poema de Ramos Rosa devia ser traduzido em todas as línguas e dialectos do mundo. Devia ser afixado nas paredes, nos muros, na alma de cada um, para que não adiemos o amor nem o coração.
Um beijo Gisela.

betina moraes disse...

acabo de descobrir-te,

estou encantada,

muito feliz por conchecer teu blog!

um beijo!

vaandando disse...

ah , como eu gosto de este poema , atrevo-me a dizer emblemático...
gostei de o reler aqui , e de ver tão b onita caligrafia , de cupista...
cordialmente
___________ JRMARTO

Vieira Calado disse...

O árabe é uma língua com grandes sonoridades.

Penso que deve ficar muito bem.

Cumprimentos

casa da poesia disse...

...não posso adiar o coração...!!!...grande poeta!...á altura do Mawlana Rumi..."love is the master"!...e agora a devida tradução do Abvum D'bashmaia...
"Pai Mãe, respiração da vida, fonte do som, acção sem palavras..."...é uma tradução livre que apareceu nos comentários da casa...e que me parece bem á altura do poema!...e...perdoe a demora mas tenho estado ausente.

Marta disse...

Este poema é absolutamente magnífico!

E o blog também.

Bem haja, Gisela.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Que lindo poema, Gisela!
Identifiquei-me tanto com ele,
é o chamamento do amor.
Não devemos adiá-lo em nossas vidas.
beijo no coração