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05 julho, 2009

observando a "harmonia das esferas"



Torre do Zigurate, situa-se no Terraço dos Mundos Celestes em frente ao poço iniciático e simboliza uma estrutura apta à contemplação dos mundos celestes e à observação da "harmonia das esferas" - Quinta da Regaleira em Sintra *

É preciso descer lucidamente os poços com degraus
e encontrar os seus estados sucessivos,
pois, para atingir o Paraíso, é preciso, obrigatoriamente,
passar pelo inferno, um dos estados da iniciação:
a realização efectua-se no núcleo de pedra
e a segunda morte iniciática reside na cristalização subtil,
Mas o eleito encontrará aí a força ascensional
que lhe permitirá alcançar o céu,
pois soube recolhê-la no Templo subterrâneo.

Jean-Pierre Bayard
La Simbolique des Mondes Souterrains, p. 76
in Anes, José, Os Jardins Iniciáticos da Quinta da Regaleira, p. 74, 2005


Tradução
para espanhol do poema de Jean-Pierre Bayard feita por Agustin Talledo, em http://elviejoagustin.blogspot.com/

...Es imprescindible recorrer paso a paso y lucidamente, la escalera que desciende hasta la profundidad y encontrar en casda escalón los estados sucesivos de nuestra historia personal.
Para llegar al Paraíso es preciso indefectiblemente pasar por elinfierno, es como un rito iniciático;donde la realización se consagra en la partición del núcleo duro de nuestro pasado.
Para llegar al paso final de la muerte, en el que se logra la cristalización sutil de la experiencia de vida; el "Elegido" encontrará la fuerza suficiente, para emerger desde las profundidades y allí alcanzar el cielo.
Logro sencillamente obtenido por el simple transito del camino al templo subterráneo...

Versión libre, de la pobre traducción, del texto de Jean Pierre Bayard.
Fragmento página 76, de la versión en Portugués.

15 maio, 2009

O encontro



Paix, Peace, Frieden, Paz, Calligraphie Lassad Metoui


Eros e Psique


Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.


Fernando Pessoa,
8-7-1933, publicado in Presença nºs 41 e 42, Coimbra, Maio de 1934
(retirado do livro de José Manuel Anes, Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos, p.p. 182-183).