20 janeiro, 2012

O anel do tempo

Imagem: ©Joyce Tenneson




As mães são conchas e mistério, elas apertam os filhos como rios sem margens no diafragma do Tempo, as mães têm braços que agarram por dentro o Amor com magnética nitidez. As mães são o regresso do mundo.


Gisela Ramos Rosa

06 novembro, 2011

Já abracei uma árvore neste Jardim

A place to be...Sintra
Fonte do Plátano-Jardim da Liberdade, Sintra
Fotografia de Mariis Capela

01 outubro, 2011

Um foco de ternura cúmplice

Fotografia de Gregory Colbert

Nada é inacessível no silêncio ou no poema.

António Ramos Rosa


Aproximei-me da festa do silêncio com o fluir das palavras nuas que escreveste. Suspendi o tempo junto a ti como a criança que recoloca as peças do jogo com a simples respiração acedendo ao novo mundo imprevisto em movimento. Um foco de ternura cúmplice aproximou o sentido total dos nossos gestos fora do tempo. Um campo de ressonâncias eternas trespassando-nos como a água sem corpo que esvazia as palavras, dos sentidos obscuros, onde habitamos a brancura e o afecto deste encontro. Agora sei que haverá a palavra viva quando a morte for limite, haverá o fluxo do livro descobrindo a página, haverá um rosto traduzindo o silêncio, haverá um traço de prece inclinada na paz dos nossos ombros.


Gisela Ramos Rosa, 1-10-2011


25 setembro, 2011

Fotografia de Eric Lafforgue


a Chave é uma linha que une
o pensamento ao mundo como um espelho


Gisela Ramos Rosa, 27-09-2011


06 agosto, 2011














quando a sede é pergaminho
a mão avança para a água do poema
como a sombra que antecede o barro
antes da forma encontrar a pedra
secular


Gisela Ramos Rosa 06-08-2011






Fotografia de Mariis Capela

02 julho, 2011

Não sei porquê a luz*




As palavras mais vãs são aquelas que habitam o livre arbítrio dos dias,
Afasto-as do poema com a Alma

por haver um rio entre as muralhas
onde os olhos se misturam com uma pronúncia muda
invoco o oceano íntimo que trago no peito
percorrendo a lucidez das superfícies nuas
amo o princípio evidente das coisas, dos seres
uma pedra, a boca, a baga desigual
na saliva dos homens dissolvendo os dias

Vou encontrando a luz, palavra ou barca
atravessando
o dia até ao lugar do visível
por detrás dos olhos onde todas as águas se diluem

e encontram



Gisela Ramos Rosa, 2-07-2011

05 junho, 2011

todos os nomes do coração



Reclamo a nudez os pés da infância

um tempo suspenso com o odor a ervas húmidas

a terra molhada, o lugar que baloiça e alteia

chapinho nos charcos onde as rãs desafiam a água

para que os meus dedos possam caligrafar

todos os nomes do coração


Gisela Ramos Rosa, 05-06-2011