Às vezes entrego-me ao poema e à sua acção como se houvesse uma transição entre mim e a palavra. Como na dança dobro o fluxo das ideias para extrair o sentido do corpo e escrevo com os gestos da mediação sensorial..... inclino-me e encontro a imagem que será palavra....coreografo a página com a rede emocional e na dançarina encontro o equilíbrio “meta-estável” do corpo gesto e palavra em movimento....
há uma força subtil no sentido deste gesto,
onde abandono surdas sinfonias
repara como é preciso Ver para dentro e para fora
para a viagem entre nós e o mundo
há uma palavra branca antes de tudo
e se alguma mão cegar a possibilidade
a outra arrebatará com o pulso do Verbo,
escrevo para celebrar a voz que se funde
no corpo da criança que não derruba nem fere
e com a “água do poema” atravesso a frase que
me pensa por dentro como uma dança
no devir do gesto, a verdade é a minha liberdade
Gisela Ramos |Rosa, 3-04-2011