la vie a choisiHá rumores de tinta neste rosto...
la vie a choisi
Jennifer Alder
© Jorris Martineztentei explicar-te como os mundos se cruzam, durante a travessia, enquanto resumíamos a dor naquele despertar de espelhos.......lembras-te como os nossos dedos deslizavam suavemente na superfície da pedra negra que apanhei à junto ao mar? e tu repetias-me incessantemente “é no mar das descobertas que tenho o meu olhar”....acordo muitas vezes na planície desse pensamento, como se estivesse dentro de ti....ou tu dentro de mim....ancorados no espaço a um ponto de luz, sem vazio nem perda,......e dizias-me “tenho o mar no meu olhar”.....tentei explicar-te, de novo, que atravessávamos o núcleo de um sonho de semelhanças onde a paisagem do caminho tinha as mãos juntas...e tu repetias “é no mar que saro as minhas feridas”...
Com a memória do espaço que separa as mãos fecho-as para nelas fecundar um olhar ou um silêncio com o espanto da criança que segura um pássaro olhando a janela com os reflexos do Mar...
Gisela Ramos Rosa, 08-01-2011
... symbiosis ...
© Marian Garai
“Parece-me ter-te conhecido antes de me conhecer” (Melandro, em Maeterlinck)
...quando abri a janela o mundo era o mar que nos olhos habita, pousei as mãos devagar sobre o umbral e avistei o tempo a desaguar na foz do rio.... disseste-me que a cor das águas mudava porque o corpo da montanha se misturava com o sal do mar onde os cardumes vagam....era um tempo branco com o traçado secreto dos animais que voam....era o meu rosto dividido no meio das águas... mulher e ventre ave e infinito...era em mim a outra face, o suor do condor elevando-me num arroubo místico....eu, tu mulher e pássaro rasando as águas e os muros... puros, impuros, das visões trazidas pelo corpo e pela alma através dos silêncios e dos líquenes como pupilas olhando a saliva, os dedos e a pele....
...agora sei que há no mar o olhar de um animal veloz que percorre o sonho dos pássaros que respiram no interior das águas... incapaz de me distinguir de ti, anjo , terra, mulher ou pássaro, ventre ou asa....no seio do vale percorrendo a foz como uma barca, traçando o voo peregrino do condor ...
Gisela Ramos Rosa, 12-12-2010
Waiting at the windowÉ desta janela que olho para ti com a intensidade dos dedos, dos olhos, da face, das mãos sobre as mãos.........numa espécie de plano sem linha há palavras que nascem como um caminho... palavras encostadas à concha do tempo , vejo-as multiplicarem-se no texto unindo a planície e o silêncio a um nome...no texto transformo o coração....
quando os raios visuais se desviam por neles não caber a minha intensidade, é nas palavras que a minha voz se funde com o fogo imaginando o húmus das casas por debaixo do colmo e dos muros, o outro lado da terra e das veias, do corpo anónimo que transita como se fosse um único lugar....aqui transformo o coração....
Desta janela lembro o sol que me espreita através do teu rosto, acrescento-me ao teu texto, um outro tacto onde colho uma rosa e o vento....até que os dedos me devolvem a superfície da folha e do poema que se abriu com o calor das nossas mãos.... é nesta página que encontro a bússola repentina que me oleia o coração...
Pools