28 agosto, 2010

entre a superfície e o Sol

Shadows of summer II
© Monique


Assim o sonho faz falar tudo aquilo que em mim não é estranho, estrangeiro...

Roland Barthes, O prazer do texto p. 107


...gosto das sombras porque me permitem reconstruir a luz....a leve noção do corpo, a silhueta que desenha a posição entre a superfície e o Sol....é serena a atitude quando olho o momento em que a água se refaz compondo a sombra, atenuando a espessura entre as mãos....repouso os ombros ao inclinar o vaso para outros braços, para a ligação entre as formas....e há como um molhar de alma sempre que a água inunda o meu coração.... assim posso escrever com os nomes dos Sonhos refazendo a luz sempre que a palavra me der o prazer da sombra e da água entre os dedos...


Gisela Ramos Rosa, 28-08-2010

22 agosto, 2010

tragam-me os sonhos sem história

Lost generation - (Irão)
© Navid Haghighi


Ofereçam-me o sonho e o tempo de saber quem sou
no meu corpo há um lenço que encobre a criança entre os homens e as mulheres
guardo ainda nos meus olhos uma vaga aliança uma ascese
um olhar antigo num prisma de criança

tragam-me os sonhos por revelar para que possa chegar à terra natal
depois da experiência e não antes de tudo começar
permitam-me os frutos e as cores das palavras mais primitivas

tragam-me os sonhos sem história, a voz do pessoas, os rostos todos
tragam-me a obra humana capaz de mudar o real e o mundo


Gisela Ramos Rosa, 22-08-2010

15 agosto, 2010

os mesmos belos barcos de papel

© Monique



Quero bordar esta página com o corpo de onde os olhos e os membros se adiantam....pensando na evidência e nos ecos gerados com o significado da palavra verdade.... dobro as páginas uma a uma moldando o papel até conseguir encontrar a forma dos barcos que me trouxeram aqui…..anulo o silêncio quando me impedem de navegar nesse território imenso em que nasci....não me importam os punhos, as vozes nem a parede onde alguns deixam a sua marca alienada... saberei modelar os cabelos com as tranças que afago com ideias serenas....e com a paz dos dedos articulo levemente as mãos desenhando o jeito de olhar a palavra verdade....bebo-a como se fosse o elixir da viagem, ainda que continue a construir os mesmos belos barcos de papel...
Gisela Ramos Rosa 15-08-2010

09 agosto, 2010




handfull of love...
© Christopher Stanczyk

28 julho, 2010

...a possibilidade do sol

Red line
© Izidor Gasperlin



Sempre que te encontro acordo a possibilidade do sol poder atravessar os campos da pele e da palavra.....uno-me lentamente aos rumores, aos sons entoados como gestos leves de silêncio que fixo ao olhar.....estendo-me a um campo que espera que eu nasça no meio da palavra como um fruto secreto.....separo o mistério da sede... escrevo com a palavra que povoa o teu nome...

Gisela Ramos Rosa, 28-07-2010



25 julho, 2010

Esta ciência de inocência e água

António Ramos Rosa a escrever, 23-07-2010

Nasceu um novo espaço para a expressão de António Ramos Rosa

O título do Blogue é um verso seu do poema Animal Olhar, Ocupação do Espaço - 1963

estão convidados a visitar

Esta ciência de inocência e água (ver aqui)

18 julho, 2010

um reflexo do sol e da matéria tangível

Reflections of Working Men
© Dennis Bautista


imagina o teu corpo como uma gravura que o tempo revela.... um reflexo do sol e da matéria tangível, sulcada pelo tacto...esse encontro da pele que se despe e reveste como água polarizada por uma luz contínua, passagem elemental, vida .....repara como o ofício esculpe as figuras encarregando-se do pormenor dos sulcos cavados em silêncio...um buril talhando docemente a cintura, a ponta seca escavando reentrâncias nos dedos, ou mesmo a maneira negra de dizer a superfície da pele.... há uma matriz nos ombros e nos membros que suportam e manipulam os objectos do mundo...e é suposto que o suporte tenha fibras e contra-fibras reversas no goivado....e o corpo mais parece um solo arável onde tempo matéria e espírito produzem imagens com a espessura do sol e da sombra....imagina o teu corpo uma gravura grafada pela linha de água dos meus olhos...imagina-me pescadora, cana em flor, hera esculpida de palavras e silêncios...