Reflections of Working Men
© Dennis Bautista
imagina o teu corpo como uma gravura que o tempo revela.... um reflexo do sol e da matéria tangível, sulcada pelo tacto...esse encontro da pele que se despe e reveste como água polarizada por uma luz contínua, passagem elemental, vida .....repara como o ofício esculpe as figuras encarregando-se do pormenor dos sulcos cavados em silêncio...um buril talhando docemente a cintura, a ponta seca escavando reentrâncias nos dedos, ou mesmo a maneira negra de dizer a superfície da pele.... há uma matriz nos ombros e nos membros que suportam e manipulam os objectos do mundo...e é suposto que o suporte tenha fibras e contra-fibras reversas no goivado....e o corpo mais parece um solo arável onde tempo matéria e espírito produzem imagens com a espessura do sol e da sombra....imagina o teu corpo uma gravura grafada pela linha de água dos meus olhos...imagina-me pescadora, cana em flor, hera esculpida de palavras e silêncios...