16 julho, 2010

...no interior do teu nome

Tell me about yourself!!!
© Nicolino Sapio



sou flor e muralha na manhã em que procuro a espessura do teu nome....


Gisela Ramos Rosa, 17-07-2010

10 julho, 2010

das plantas que se repetem com o labor das mãos


green effort
© Toomaj Zangooei


...se me perguntares porque repito quase sempre o ofício das mãos quando me expresso... não poderei dar-te a resposta imediata que se calhar desejas....mas poderei trazer as mãos ao cimo da água com o labor profundo das ilhas e o sabor saliente das barcas que atravessam rios colhendo o fruto das sementes antigas que a água transformou.... há, também, todo um contexto onde os pés e as mãos se podem cruzar ou amparar, com saberes diferentes....haverá como imaginas uma repetição cíclica nas plantações, na busca mais antiga do alimento....por isso escolhi esta imagem , com um esforço verde segundo o autor, onde poderás encontrar a planta verde repetida e separada por espaços vitais semelhantes....sim, os necessários à sua sobrevivência....e se olhares a mesma plantação de longe, poderás ver outras imagens, com a perspectiva secreta dos olhos.......a mulher que colhe o fruto com as mãos.....o amor que se repete com um afago, em qualquer lugar, para equilibrar as dificuldades....e ainda se quiseres o reflexo da mãe inclinada sobre o ventre alcançando o equilíbrio da água onde se dá a procriação.....creio que tudo se gera a partir da mãe e da terra...do desejo e das mãos....

Gisela Ramos Rosa, 10-07-2010

05 julho, 2010

04 julho, 2010

Waking Life - dos sonhos







Estes excertos sobre o Existencialismo e a Linguagem são reflexões sugeridas no filme Walking Life - O despertar da vida do Realizador Richard Linklater. O filme apresenta-nos ideias de Platão, Aristóteles, Nietzche, Jean Paul Sartre, e é todo construído em diálogos filosóficos muito interessantes. Foi filmado com actores reais e cada cena foi redesenhada com o auxílio de um computador, dando um aspecto vectorizado a umas cenas e de mão-livre noutras. Muito interessante.

02 julho, 2010

como um poema-espelho



















Imagens de Heduardo Kiesse (ParadoXos )(ver aqui) a quem muito agradeço a cedência destas composições de criatividade ímpar...



...nunca sei por que palavra encetar o sentido dos dedos que se encaminham na linha do que escrevo....é sempre no nada que os rumores do traço acontecem entoando sons de cascos entre silvas e só depois, um pouco acima do chão se iniciam os sinais da poeira e da palha onde o umbral é silêncio e é palavra...não importa como nem onde essa palavra se revela ....desde que produza um som e se articule harmoniosamente a um suporte que seja sonho da matéria em movimento....
...mas isto tudo para te falar sobre os abrigos que construímos desde o acto primeiro de nascer....lembras-te do desamparo do primeiro grito e da sensação de vazio em queda que os teus membros experimentaram com a projecção do ventre materno que te fez chegar ao mundo? e como esquecer aquelas mãos que te tocaram o corpo erguendo-o como um animal vertical em direcção ao sonho?

...penso naqueles dois seres imaginando-se...sentindo a origem e a força do amor....as entranhas da terra, a união ao espaço....esse acto primordial que reflectirá (re)produzindo essa imagem infinitamente...

.....sim, somos a construção sucessiva de abrigos que se ligam como braços, fios exteriores que formam nós e que podem até atingir correntes exaustas de uma escada já sem degraus....

há um abrigo por dentro que pode equilibrar essa forma de gravidade íntima, uma espécie de extensão infinita entre as tuas mãos vazias e o que podes segurar....a voz que no interior se ergue como uma flor serena...a sede que só tu podes saciar com o ofício das mãos ....um poema....um abrigo de papel, um abrigo de tinta, um abrigo de todos os pensamentos - do nascimento à morte, sem te deteres em qualquer deles....

poderás ser o teu abrigo... um verbo tranquilo, o fogo da casa...próximo de ti... um poema-espelho...

Gisela Ramos Rosa, 03-07-2010



26 junho, 2010

a dança do traço, no espaço


































O pensamento é um movimento que pode organizar o espaço elevando um traço, um verso, um poema...


Gisela Rosa
26-06-2010








Desenho de António Ramos Rosa - 2003 - Elogio gráfico de Gisela - caneta tombo em folhas de papel A4.


19 junho, 2010

com a raiz e as mãos


New Life
© Farsad Ghaffarian

Haverá sempre uma raiz suspensa no interior do sopro no instante em que imagino ....uma semente, uma asa.... haverá a pedra, a âncora que permite o pão … minério longínquo...o desejo e o alimento da essência que flutua por dentro das lembranças e dos nomes....há também um grão que se ergue em direcção ao sol....o rosto de uma planta a florir na estação das minhas mãos...



Gisela Ramos Rosa, 19-06-2010