04 maio, 2010

dos mapas que trazemos

Eagle Tree
© Mandy Schoch


“Sermos totalmente humanos torna-nos reais”

Deepak Chopra, a sabedoria do mago, p. 54


procuro palavras na língua para poder unir os ramos, das árvores em que nos tornámos...já antes havia inscrito nos muros a morada onde o silêncio me ensinou a escrever o nome e a reconhecer o mistério do que é transitório.... gostava de poder dar-te as minhas mãos para cruzarmos as linhas e os lugares sobre a luz ......descalça sentiria as folhas macias do livro...e na superfície bordaria o odor tranquilo do sol....a traçar o horizonte dos sítios e dos mapas que trazemos....


...concordas comigo quando digo que os olhos dão vida a tudo o que vemos por isso acariciemos lentamente a construção do nosso rosto, dentro da vida, como se ele fosse testemunha e percepção da inocência com que olhamos o mundo...

Gisela Ramos Rosa 04-05-2010

01 maio, 2010

não te prendas ao chão

peaceful moment (Praying woman)
© Robert

Se me olhares não vejas uma mulher de costas....transpareço através do véu azul apesar do lugar, apesar de tudo. Estou direccionada para uma porta antiga que não se fecha por completo... encontro nela o sítio onde colocar a mão esquerda e também a possibilidade de repousar com a tranquilidade de uma prece...sem que nada me importune.... sempre que aqui venho recomeço a viagem sobre a luz ...destaco as cores porque as sinto entrar como carreiros na alma...através dos olhos....não te prendas ao chão....repara no tecido que me cobre... é suficientemente claro para transformar os teus olhos numa ilha....e o meu corpo num lugar.....

Gisela Ramos Rosa, 01-05-2010


24 abril, 2010

no interior da esfera

Wheels
© Jorgen Dybdahl

Conta-me uma história como se fizesses girar a roda do tempo. Coloca-me nos dedos o movimento da semente que nos meus olhos germina. O chão moldou a tua passagem pela noite...mas o dia continua em ti..... sinto que escutamos o som dos veios rodando. e como aves desenhamos circunferências em torno de um eixo, o nosso próprio rosto...sulcamos o templo, o fogo e o metal da passagem...tocamos a porta para abrir um momento....

conta-me como um rosto consegue dilatar os círculos contendo o lado mais obscuro da matéria....agora que descobriste esta casa, repousa as mãos, olha ...conta-me... como se fosses o sopro que me acolhe no interior da esfera...


Gisela Ramos Rosa, 24-04-2010



22 abril, 2010

o mundo é um espelho*


Green grains
© Robert Fudali



...independentemente do grau de maldade, a natureza interior de todo o ser é o amor...esta qualidade essencial pode ser sempre revelada se manifestarmos o nosso próprio amor. Contudo o amor não é um mero sentimento; ele é a verdade última no coração de toda a criação. É incondicional e ilimitado, e irradia de nós quando estamos em contacto com o nosso eu não-local...


...imagine-se capaz de ver sempre possibilidades infinitas... (moksha, aforismo sutra)

*Deepak Chopra

18 abril, 2010

olha-me como se eu fosse o teu princípio

William Alexander López Amaya, Série Retatos "Hijos de Mi Tierra"
Huizucar, La Libertad - El Salvador


sempre que precisares olha-me como se eu fosse o teu princípio, a luz que em ti se instalou no momento da criação, eu sou aquilo que pensas ter perdido quando te pediram para cuidar do mal que de alguns Seres se apossou....não digas que a sensibilidade se esgotou..."sou familiar dos anjos que pousam sobre a vida"( Daniel Faria, Poesia, p. 73)...é possível regressar com os olhos da infância ao ponto que quiseres da vida, como se reconstituísses a película do teu próprio filme... e não te esqueças que as oliveiras continuam a crescer sempre onde seja possível a sombra de uma luz maior...olha-me quando te quiseres (re)encontrar...


Gisela Ramos Rosa, 18-04-2010


Agustin Talledo, um querido visitante argentino deste espaço acabou de traduzir para
a sua língua parte deste meu pequeno texto assim:...
(Gracias Agustin, por tu sensibilidad....)...



es posible regresar con los ojos de la infancia al punto que quieras de la vida, como si volvieras hacia atrás en tu propia película...
Y no te olvides que los olivos continúan creciendo siempre donde es posible la sombra de una enorme Luz...
Miramé cuando quieras para rencontrar-te...

Tradução de Agustin Talledo

15 abril, 2010

sim, alteio os meus olhos*

Silence coming
© Jasmina Gorjanski


* Daniel Faria, Poesia

11 abril, 2010

e confesso a mão,

L'altra metà
© fulvia menghi



imagino a outra metade coberta por um véu, a espessura, a sombra, um enigma por decifrar, o sol que divide as mãos, ou mesmo uma dança, dois corpos na proa de um barco, mas regresso sempre a mim e confesso a mão com o peso da raiz em comunhão...

Gisela Ramos Rosa, 11-04-2010


Leonardo B deu continuidade à minha prosa deixando-me um comentário....assim:


[... que sulcará a tua terra anónima,
o teu traço ignoto,
um broto de mar selvagem,
acontecido em ti,
impossível em ti então,
minha mão traça,
o barco que se atravessa no fundo de mim,
do barco sem fundo, sem remo
- Apenas um fragmento breve do corpo do mundo;
corpo eu, corpo tu, casa improvável breve azul mundo]


Leonardo B., 11-04-2010


Com o coração lhe agradeço Leonardo B!**