10 janeiro, 2009

Na janela do tempo

Desenho de António Ramos Rosa, folha branca A4, caneta tombo azul, 2005

Toute porte a pour gardien un mot (mot de passe, mot magique)

Edmond Jabès


A mulher que escutas na janela do tempo
lavra a dor com um vibrante sorriso interior
cantando a melodia do não dito
com a língua dos silêncios encontrada

a chama desse corpo aceitou o infinito azul
e renasceu com a magia de um templo antigo
quebrando os muros com a subtil harmonia dos anjos
e se nos seus dedos vislumbras o azul e em seus olhos uma ferida viva
dir-te-ei que o sorriso transmutou a dor ao encontrar-te
na unidade originária dos poemas
na bondade nua que nutres com as mãos

e a janela solitária entreaberta revelando o ar
é agora uma porta aberta para o mar
descobrindo a magia do tempo horizontal

Gisela Rosa, Vasos Comunicantes, diálogo poético com António Ramos Rosa, p. 21, 2006

09 janeiro, 2009

A renda do Sol

Pintura de Fátima Ramalho, 1988

O poema é uma teia
de que aranha de que areia
que se desfaz e se tece
e se inflecte como uma carícia
num rosto ambíguo de mulher e menina
e num sopro ascende a uma crista
e desce a um ninho de ervas
e cintila e se apaga
no vago olhar de uma página
no seu estuário absoluto

António Ramos Rosa, Vasos Comunicantes diálogo poético, p. 64, 2006



Ao ritmo da palavra
um raio de sol
acende uma teia branca
de linha em linha
deslizam as carícias
de um fogo que cintila na rede
sobre a dança de um corpo
que se configura e se desfaz
numa poeira cintilante

Gisela Ramos Rosa, Vasos Comunicantes, diálogo poético, p. 65, 2006

07 janeiro, 2009

Como um poema uma árvore

O Suporte é uma folha branca A4, caneta tombo "grená", o jogo de luzes
produziu o amarelo de fundo.
António Ramos Rosa, 2004



"...no silêncio da tua respiração,
como um poema uma árvore"

António Ramos Rosa

05 janeiro, 2009

A Voz Anónima


Poema a Voz Anónima de António Ramos Rosa, publicado na Revista Babilónia da Universidade Lusófona, 2003


Numa tarde em que visitei o poeta António Ramos Rosa, ele pediu-me que passasse a computador um poema que acabara de fazer pois queria muito enviá-lo para vários amigos. Cumpri a vontade de meu tio, de difundir a mensagem, o poema... fica aqui o manuscrito que acabei de encontrar para quem consiga decifrar os caracteres do poeta.

04 janeiro, 2009

Sopros da escrita


Desenho de António Ramos Rosa, 2006



Hei-de escalar o meu próprio coração
como se fosse uma montanha

Angelus Silesius

Os traços da escrita

L´un Pour L´autre, Les écrivains dessinent, Buchet *Chastel,
Les Cahiers déssines, Imec Éditeur


Para os que se interessam pelos traços que transvasam a escrita...

A Poética da Nuvem

Pintura de Isabel Ilhano, retrato de António Ramos Rosa

Eu sei que não a conheço. É nuvem,
poeira ou ferida ou esplendor em pulsação

António Ramos Rosa