Fotografia de Alice Valente Alves
é possível que as planícies demorem
quando o chão é um fruto redondo
não sei se tenho nos olhos
o perfume vermelho do fruto ou do fogo
quando a palavra é cratera e irrompe
deusa é a forma que une os bagos da romã
com a essência da lava e do sangue
é possível que o chão seja um fruto
que amanhece como os dias dentro de nós
e as mãos sejam tronco ou caule de infância
rendo-me à seiva do fruto na planície do poema
chão onde o vinho é mel corpo e romã
Gisela Ramos Rosa 20-03-2011
* Agradeço a Alice Valente Alves a cedência desta imagem à Matriz dos Sonhos.
Quando a autora a editou no seu blogue ALI_SE, em Dezembro de 2010, nasceu em mim
a vontade de escrever com ela e de a trazer para aqui.